
Chega um momento em que começamos a nos questionar sobre o sentido de nossas vidas. Isso é o começo do despertar espiritual. Com isso, se inicia a jornada para descobrir quem nós somos, um processo para sairmos da individualidade e mergulharmos na Totalidade.
Abaixo, deixo uma história que relata este processo. Ela foi retirada do livro “O Poder da Iluminação” de Otávio Leal (Dhyan Prem).
A Onda

“Há muito tempo, em uma terra (ou, por que não, água) distante, uma pequena onda sentia-se ansiosa, depressiva, desiludida com a rotina de ir e vir.
Ela não via um sentido nisso, queria saber qual sua missão ou quem era.
Certo dia, quando se encontrou com uma “antiga” irmã onda, escutou dela que havia um grande deus oceano que poderia responder suas questões, conduzindo-a a um estado de plenitude e a uma vida que vale a pena ser vivida.
Ao escutar isso, nossa ondinha saiu a procurar. Perguntou a várias outras ondas, e sempre obtinha como resposta: “Escutei sobre esse oceano, mas ninguém o conhece pessoalmente”. Algumas ondas não acreditavam no oceano e outras gritavam fortemente que somente lendo um livro sagrado se encontraria o oceano após a vida aquática.
De toda forma nossa ondinha continuou a procurar e soube de uma mestra que poderia apontar a direção do oceano. Até ali nossa ondinha tinha vivido tantas dores, alegrias, sucesso e fracasso, ganhos, perdas, mas agora queria certo tipo de relaxamento que ela intuía ser possível.
Estando em frente à sábia onda, nossa ondinha prostrou-se aos pés dela e implorou:
– Mostre-me o oceano!
A mestra, com seu olhar profundo, questionou:
– Para você, o que é o oceano?
– Ouço que é um local de absoluta paz, serenidade, equilíbrio…um local diferente deste onde vivo, um lugar longe daqui.
A mestra, ouvindo isso, disse:
– Você está buscando fora de Si mesma. Você já é o oceano, mas não observa isso. Você é o que busca, e essa busca faz com que não reconheça o que é.
– Diziam que você era uma onda sábia e bondosa, que me mostraria o caminho, mas só está me iludindo. Se sou o oceano, onde está a grandiosidade deste oceano? Olho em minha volta e reconheço que sou somente uma onda.
– Você pensa que é a onda e somente isso a impede de reconhecer o oceano. Mergulhe agora, atire-se aos meus pés, se realmente anseia pelo oceano, e experimente por Si mesma.
A gota ainda encontrava-se insegura, o medo a contagiava. O medo de mergulhar e fundir-se ao oceano.
Ela pensou em tudo que já tinha vivido. Suas idas às nuvens do céu, suas quedas como gota de chuva, o movimento nos rios quando atravessou por entre as pedras e matas, quando alimentou os animais, as aves e os peixes, viajando por aldeias e cidades.
Foram tantas aventuras e obstáculos vencidos até tornar-se onda, e agora tudo isso poderia morrer? Poderia desaparecer?
Ela refletiu se caso mergulhasse não perderia todas essas memórias e morreria. Tremia de medo.
O que aconteceria? Medo de morrer? Medo de perder-se? Medo de sumir eternamente? Deveria então escolher a coragem ou sucumbir ao medo? Estacionar ou ir adiante?
Ali ela tomou uma decisão: escolheu a coragem.
O anseio pela Iluminação oceânica fez com que ela arriscasse e seguisse em frente, mergulhando e desaparecendo como onda. E aí renasceu.
Reconheceu que se tornou o oceano.
Reconheceu que sempre foi o oceano.”
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